Com tanta mulher incrível no mundo, quase ainda bem que eu sou comum. Não sou um mistério, não crio enigmas pra ninguém, diria eu, que sou um quebra-cabeça de nível fácil; daquele tipo que a gente dá em aniversário de dois anos com as peças bem grandes pra ninguém meter na boca.
Olha, ainda bem que eu sou comum. Mistério, conquista e jogos, essas brincadeiras com fogo que mulher faz – deus me livre! Meu maior mérito está na constante banalidadezinha medíocre do meu ser. Já imaginou que horror seria se eu fosse única? Se eu entrasse na vida das pessoas, bagunçasse tudo e depois dissesse, jogando os braços pra cima: “Fui!” ? Não, não, eu não.
Eu queria ter orgulho de ser a parede creme da sala de estar. Aliás, sala de “ser” por que estar é coisa de gente inconstante, que muda. Aquelas pessoas inacreditáveis com mentalidades geniais que não conseguem gostar da mesma coisa por mais de meia hora.
Queria poder afirmar tudo isso. Mas não. Sou confusão de madrugada, beijo de manhã, sonhos infinitos e realidade às 16h da tarde. Às vezes quero muito, mas ontem quis tão pouco. Me contentei com teu abraço frio, mas te pedi juras de amor. Sou emoção. Por vezes, vontade é tudo que tenho.
Tem tanta mulher especial no mundo; mal humor, sensualidade, provocação, apelação, possessão. Manha, manhã, três da noite, quatro da tarde, dois cafés, meia noite, uma dose de rum. Tem mulher rock bem alto, mulher ballet, mulher lágrima. Melancolia, histeria, bom dia, já fui embora, mil cores no cabelo. Mulher música, mulher renda, mulher moda, mulher mil mulher, mulher forte, mulher macho, mulher fêmea, mulher mãe,mulher má. Tanta mulher incrível, tanta mulher igual.
Sou tudo e nada. Quer mais normal que isso?
Ainda bem que eu sou comum; do tipo homo sapiens.