o beijo nosso
sela aquele mundo
que é meu
que é infinito
e é tão efêmero

que é o paradoxo
perfeito
de nossa existÊncia

o beijo nosso
me avoa
mente
me tapeia
alma
que morre calada
em
nosso beijo

nesse findo toque
nessa grande bagunça
(arrumada)
que é o beijo meu
e seu

que é um minuto de silêncio
(ensurdecedor)
o mundo parado em segundos cortantes
um sentimento desavisado
que nasce
e morre

num beijo nosso

toda a minha vontade, minha saudade

meus desejos de menina no pé de carambola no quintal

nas tardes quentes e do banho de magueira, gelatina de morango, chicotinho queimado

seus cabelos brancos, seu sorriso confortante

vc se foi e me deixou, me deixou sozinha, chorando na janela

foi-se contigo uma parte do meu coração, as minhas melhores memórias, e ficou um sentimento saudoso

saudade

a saudade da menina, a saudade do vovô

te amo do umbigo, te amo sem fim.

Maria Eduarda (30/01/2007)

Com tanta mulher incrível no mundo, quase ainda bem que eu sou comum. Não sou um mistério, não crio enigmas pra ninguém, diria eu, que sou um quebra-cabeça de nível fácil; daquele tipo que a gente dá em aniversário de dois anos com as peças bem grandes pra ninguém meter na boca.

Olha, ainda bem que eu sou comum. Mistério, conquista e jogos, essas brincadeiras com fogo que mulher faz – deus me livre! Meu maior mérito está na constante banalidadezinha medíocre do meu ser. Já imaginou que horror seria se eu fosse única? Se eu entrasse na vida das pessoas, bagunçasse tudo e depois dissesse, jogando os braços pra cima: “Fui!” ? Não, não, eu não.

Eu queria ter orgulho de ser a parede creme da sala de estar. Aliás, sala de “ser” por que estar é coisa de gente inconstante, que muda. Aquelas pessoas inacreditáveis com mentalidades geniais que não conseguem gostar da mesma coisa por mais de meia hora.

Queria poder afirmar tudo isso. Mas não. Sou confusão de madrugada, beijo de manhã, sonhos infinitos e realidade às 16h da tarde. Às vezes quero muito, mas ontem quis tão pouco. Me contentei com teu abraço frio, mas te pedi juras de amor. Sou emoção. Por vezes, vontade é tudo que tenho.

Tem tanta mulher especial no mundo; mal humor, sensualidade, provocação, apelação, possessão. Manha, manhã, três da noite, quatro da tarde, dois cafés, meia noite, uma dose de rum. Tem mulher rock bem alto, mulher ballet, mulher lágrima. Melancolia, histeria, bom dia, já fui embora, mil cores no cabelo. Mulher música, mulher renda, mulher moda, mulher mil mulher, mulher forte, mulher macho, mulher fêmea, mulher mãe,mulher má. Tanta mulher incrível, tanta mulher igual.

Sou tudo e nada. Quer mais normal que isso?
Ainda bem que eu sou comum; do tipo homo sapiens.

como num conto machadiano
eu olhei, fingi, esnobei
e morri de amores
ao mesmo tempo
numa só escala
todo amor do mundo de uma só vez
aquele amor fingido
faço que não, penso que sim
e nada dá certo
acredito em adivinhos
e me sinto transparente

dizem que tô doente
de amor
e de achismo

tão bela vista de dentro

quem consegue ler os mistérios meus
nos sonhos teus
mil e uma noites
e nada

tudo
se
desembola

não quero pensar
no que poderia ter sido
porque não poderia
ser
tido

não queria mais brincar
de esconde-esconde
sentimental

sempre estive no pique
sempre quis sentir

nesse jogo de existência,
escolhi viver

peguei a bicicleta e fui.

no fim as portas se abriram
e tudo ficou claro;
o (en)fim de tudo:
ver-a-cidade

a informação chegava
mas eu não sentia
sempre esteve lá..
escondida nas minhas desilusões
e pulsões de vida
quase gritava: -maria!
não entendia ou via
nada sabia

ela esteve lá
e deixou frangalhos

quando soube
nada mais se tinha a fazer

partiu como quem se cansa de uma segunda-feira

tenho um nó na garganta
e quase nao posso falar
se falo, não me levam a sério
quero saber além
alem do que eu mesmo quis uns dias atrás
quero e dizem que não posso
sinto me cortarem pedaços
puxando algo pra fora, sem luvas
sem cuidado

peço que acenda a luz
para que eu possa dormir de novo

coagir
correr e agir
e pegar
e pregar
teu corpo ao meu
cor por alma , eu.

entrelaços
descabeçam
descabelam
a cabeça
e meus laços
que encabeçam
a razão dos meus dias

maldita dor
de coração
mau ditador
de minha ação

réu confessa
culpada
criminosa
roubei teu amor
e reguei meu jardim de rosa

enxaguei teu sangue com minhas lagrimas
agradeci teu beijo com mais um
sai de passos finos e calados
o dois agora é um

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